...este é um espaço que revela alguns "pecados" do povo tuga. Os nossos políticos são do pior... e o povo manso releva...

tags

todas as tags

Pesquisa personalizada

20
Jan
07
Morrer a 50 metros da praia e à vista de toda a gente, só acontece em sociedades indigentes.

A morte de seis pescadores, na Nazaré, a 50 metros da praia, devido ao naufrágio do barco 'Luz do Sameiro', é um acontecimento brutal de profunda injustiça e da qual os sucessivos governos são os únicos responsáveis.
Mais uma vez a resposta pronta e eficaz não existiu. Só a mentalidade tacanha e a desumanidade reinaram. Por que razão os bombeiros da Nazaré, que tinham motas de água, não agiram, preferindo respeitar as regras burocráticas? Por que motivo a Marinha e a Força Aérea enviaram o helicóptero três horas depois, segundo se diz, para não desperdiçar meios?
Foi revoltante assistir à morte daqueles homens, à beira de casa. Vivemos numa época em que a pessoa humana e o valor da vida de nada valem. As ciências humanas perderam a liderança para a economia. Reina a linguagem da economia, a linguagem fria dos números, do défice e do deve e haver. Só se contabilizam rendimentos e prejuízos. O dinheiro passou a ser o centro das atenções.
Esta terra amaldiçoada não fica mais pobre só quando perde figuras de relevo público. Fica também mais pobre quando deixa ceifar, de forma negligente, vidas de homens anónimos que também contribuem para o seu desenvolvimento. Portugal também é feito desta gente brava que quando vai para a pesca nunca sabe se regressa. Morrer a 50 metros da praia e à vista de toda a gente, só acontece em sociedades indigentes, atrasadas e sem qualquer estratégia de segurança. Com estas mortes pelo atraso registado no salvamento e por escassez de meios e recursos disponíveis, como podem voltar a sorrir os governantes desta terra que permite que os seus filhos desapareçam sem dignidade? A morte como último momento da vida também deve ser vivida com nobreza, o que não aconteceu na Praia da Légua.
Por ironia da vida este é o mesmo País que pretende gastar milhões de euros, com a instalação de vários campos de golfe, para se tornar o primeiro na Europa na prática desta modalidade.
O imperativo ético-kantiano manda tratar o ser humano como fim em si mesmo e nunca como instrumento. Se por um lado estamos mais ricos em conforto material, em qualidade de vida, em liberdades e em acessos ao conhecimento, por outro estamos mais pobres em valores éticos e morais, em solidez dos sentidos da vida e em respeito pela dignidade da pessoa humana. Urgente se torna recuperar a terra bendita, colocando, no lugar central, a pessoa, os direitos humanos e a virtude da cidadania. Só assim o homem não se perde, colocando a ética e a justiça a funcionarem como bússola orientadora da vida.
Rui Rangel, Juiz, In Correio da Manhã
publicado por TC às 12:55

links

Ganha dinheiro na Net

L-Image-4_1-216x54

tags

todas as tags

blogs SAPO